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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Sal - Uma deliciosa surpresa de Letícia Wierzchowski

  Um farol reina sobre uma pequena ilha no extremo sul da América Latina. Sobre a família Godoy, pairam profundas emoções. Permeando tudo, a terrível sina que corre nas veias de cada um. 



  Letícia Wierzchowski é uma autora brasileira, mais conhecida pela adaptação televisiva de seu romance A Casa das Sete Mulheres. Confesso que nunca tive contato com a minissérie nem nenhum trabalho da autora. Foi um mero acaso que me levou a Sal: encontrei um exemplar no meio de várias outras obras, de promoção, e resolvi comprar. Era um presente para minha mãe, apaixonada pelo mar e por tudo que carregue maresia consigo. Acabei lendo eu mesmo, depois dela ter feito sua devida leitura. Não poderia ter tido uma surpresa mais agradável.

   A vida dos membros da família Godoy começa a ser dissecada desde o início do livro por Flora, uma das filhas mais novas de Cecília e Ivan. Transformando a trajetória de seus antepassados, de seus genitores e de seus irmãos, em uma trama bem construída e ritmada, Flora dá nascimento a um livro totalmente impregnado da realidade em que vive. O leitor se pega desfiando a complicada e deliciosa história dos Godoy, para depois mergulhar na mente sempre fervilhante de Flora: e assim seguem os capítulos, até o momento em que não é mais tão fácil diferenciar a realidade da ficção.

  Na ilha de La Duiva habitam os remanescentes de um antigo clã de navegadores bravios, que não exitavam em se atirar ao mar na primeira oportunidade. Entre eles, transitam demônios pessoais e fantasmas do passado. Toda a vida segue o ritmo do farol, que paira, absoluto guardião, sobre tudo aquilo que sua luz alcança. A atual geração dos Godoy vive em relativa paz, até que as marés de suas vidas finalmente se agitam. O mar, soberano, atira à praia os mais inesperados tesouros e tragédias.


  A narrativa de Wierzchowski é cativante e te proporciona a mais fascinante imersão em seu universo ficcional. Ao final da obra, é com pesar que nos despedimos de Flora e Orfeu, Julius e Tiberius, Cecília e Ivan. A autora tece com maestria as personalidades de seus personagens e dá a cada um, um estilo próprio, um modo peculiar de se expressar, que se torna evidente nos capítulos narrados por outros membros da família Godoy. Depois que o leitor se deixa embalar pelo vai e vem das ondas que quebram nas areias de La Duiva, é impossível desgrudar do livro. 

  Com certeza, Sal já tem seu lugar garantido entre as melhores leituras de 2016. 

 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Os Mistérios de Dupin

Quem já tem alguma familiaridade com os escritos de Edgar Allan Poe deve conhecer os três contos que contam os feitos de Dupin, um personagem de aspecto bastante peculiar. Mas antes de tudo, vamos deixar claro: as histórias de Dupin não são necessariamente histórias policiais.

 

 

De início, a personalidade objetiva e introspectiva de Dupin podem lembrar aos leitores o icônico Sherlock Holmes, mas Poe não poderia ter se inspirado no detetive mais famoso de todos os tempos para criar seu personagem, já que a primeira história de Dupin foi publicada em 1841, alguns anos antes do nascimento de Arthur Conan Doyle, criador de Holmes. Esclarecendo essa possível confusão, vamos falar sobre os três contos que nos interessam.

Os crimes da rua Mogue, O Mistério de Marie Rogêt e A Carta Roubada tem como protagonista C. Auguste Dupin. Em cada uma dessas três narrativas, temos um fato eão que Dupin, tomando conhecimento da situação, resolve analisar por conta própria e chegar à verdade dos fatos de seu modo. Dupin não é um detetive, e suas histórias não são clássicas narrativas policiais. A intenção de Poe é apenas uma: despertar a atenção do leitor para os detalhes e para o pensamento lógico. 

O motivo de constituir suas tramas a partir de crimes aparentemente indissolúveis é justamente seu interesse de ressaltar o fato de que as pessoas normalmente não conseguem enxergar o que está diante de seus olhos. Dupin é um observador e pensador lógico de primeira categoria. É se valendo exclusivamente de seu poder de observação e dedução que ele soluciona situações que parecem ser caóticas. 

 

Iniciar a leitura de uma das aventuras de Dupin esperando ler uma história policial pode ser frustrante, e é isso o que acontece com muitos leitores. Aqueles que já tem maior familiaridade com as obras de Poe devem ter percebidos que esta se divide em duas partes: contos sobre a natureza do pensamento lógico (para além dos contos de Dupin, podemos citar O jogador de xadrez de Maelzel e O Escaravelho de Ouro) e contos de mistérios aparentemente sobrenaturais (entre os mais famosos estão O gato preto e A queda da casa de Usher). Na verdade, essa dicotomia faz mais sentido quando examinamos a obra em conjunto: o que observamos é que Poe nos expõe argumentos lógicos, bem detalhados, para explicar fenômenos extraordinários, e ao mesmo tempo, em outras obras, nos coloca na pele de personagens que juram estar presenciando acontecimentos sobrenaturais. É, basicamente, como se ele dissesse: mesmo tendo visto Dupin explicar algo completamente absurdo de maneira racional, você ainda acha que o que aconteceu na casa Usher não foi um fenômeno desse mundo?

Os contos de Poe são focados em aspectos psicológicos, e sempre deixam o leitor na dúvida: o personagem estava louco, ou realmente presenciou algo para o qual não há uma explicação racional? Em todos os seus textos, os detalhes são elementos centrais para que se compreenda o significado. Poe, enfim, brinca com o psicológico de seus personagens e com o de seus leitores, levando-nos da racionalidade à irracionalidade entre um conto e outro. Cada nova história te dá elementos para compreender melhor as outras. Poe aguça nossa imaginação e nossa curiosidade ao mesmo tempo. É isso que faz de Poe um autor que deve ser lido e relido, sempre uma vez mais.

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Gigante Enterrado e "o próximo grande sucesso"

  O jornal The Guardian afirmou que O Gigante Enterrado é uma mistura de Game of Thrones com A espada era a lei. A parte que se refere à história do Rei Arthur e do mago Merlin não poderia ser mais verdadeira. Mas Guerra dos Tronos?

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  De uns tempos pra cá, as editoras tem se escorado na estratégia do "próximo grande sucesso". Você com certeza já viu algo assim nas capas de algum "provável best-seller": "O próximo Harry Potter!" ou então "Mais alucinante que Jogos Vorazes!".

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Embora muitos livros tenham temáticas parecidas que, de fato, podem atrair fãs de alguma obra já previamente publicada, utilizar desse artifício de divulgação pode sair pela culatra. Proclamar que um livro é "o novo Senhor dos Anéis" ou "o Madame Bovary moderno" cria uma expectativa; o leitor já vai abrir a primeira página com uma ideia muito certa do que procura encontrar lá. Se o que se apresentar logo nas primeiras páginas não for tão alusivo à obra citada na capa, pode vir a acarretar algum desinteresse. Sem falar que acaba-se transferindo toda uma carga semântica, correndo o risco de ofuscar a originalidade de obra que se quer promover.

  Sobre a obra de Kazuo Ishiguro, o estilo da narrativa lembra muito mais O Hobbit do que qualquer coisa que George R. R. Martin já tenha escrito. A história, contada em tom próximo ao das fábulas, também se aproxima mais às de Tolkien, sendo bem menos sangrenta, crua e direta do que as desventuras da família Stark. (Vale frisar que minha opinião sobre todos esses autores é uma das melhores possíveis!). Comparar a saga de Ishiguro à de Martin é uma jogada publicitaria. Vendo pelo sucesso de O Gigante Enterrado, a propaganda surtiu efeito, ou pelo menos não atrapalhou, mas é sempre bom pensar duas vezes antes de se valer desse artificio.

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   O Gigante Enterrado é um romance que te atinge bem fundo. Embora o começo possa parecer um pouco lento e confuso para alguns, o estilo do autor é suave e aconchegante e, embalado por ele, fui lendo até estar completamente envolvido pela história, sem chance de voltar atrás. 

   Axl e Beatrice, os dois protagonistas da terceira idade que partem em uma jornada em rumo ao filho que há muito tempo não veem, transbordam determinação. Por maiores sejam os desafios que apareçam em seu caminho, e por mais anos que carreguem nas costas, o simpático casal segue em frente com coragem. Um dos meus primeiros pensamentos quando comecei a leitura foi sobre a faixa etária dos protagonistas de uma narrativa épica. Porém, quem disse que idade é problema?

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   Muito mais do que um ensaio sobre a perda das memórias, Ishiguro nos fala do medo de recordar. Quando tudo vai bem, será que trazer à tona acontecimentos apagados pelo tempo tem um preço alto demais? É necessária muita coragem para mergulhar no passado sem saber o que ele esconde.

"Podemos fazer todas essas lembranças voltarem. Além disso, o sentimento que tenho por você em meu coração vai continuar lá de qualquer forma, não importa o que eu lembre ou esqueça. Você não sente assim também?"
- O Gigante Enterrado

   Leitura feita, leitura aproveitada, leitura aprovada!
 
  Vale destacar: quando cheguei ao fim do livro e entendi o significado do título, tive alguns bons arrepios. Será que você consegue descobrir o porquê do nome do romance antes de chegar aos últimos capítulos?
 
A edição brasileira, da Companhia das Letras, é linda demais e,
tenho que admitir, foi o que me chamou atenção primeiro. Mas se você
lê em inglês, vale dar uma conferida nas edições britânica (Faber & Faber) e 
americana (Random House), que também são um mimo só! Fica por conta
 do leitor decidir qual a mais irresistível.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Olhai os Lírios do Campo e ressaca literária

 Érico Veríssimo é um dos meus autores nacionais favoritos. O primeiro encontro aconteceu recentemente, quando abri, de maneira completamente descompromissada, o volume de Ana Terra que ganhei da minha tia no ano passado. Foi paixão à primeira vista. Assim que devorei (rapidamente) as poucas páginas do romance, corri até a estande para começar "Um Certo Capitão Rodrigo". As expectativas foram atingidas.



  Então, mês passado, comecei "Olhai os Lírios do Campo". Por algum motivo, a leitura se arrastou. Não por falta de qualidades na obra, é importante destacar. Eu ainda estava de ressaca literária de "A Nascente", de Ayn Rand, um livro que me pegou de jeito e me deixou por algum tempo impossibilitado de ir atrás de outras leituras. O enorme volume de textos acadêmicos sobre o qual me debrucei no semestre passado devem ter sido a gota d'água para me dar uma overdose. Eu realmente estava com problemas muitos sérios para ler qualquer coisa, até mesmo uma notícia curta na internet.

  De vez em quando, é normal que hajam esses períodos em que, por mais que tentemos, não conseguimos embarcar em novos romances; os contos parecem não surtir muito efeito sobre nós; as crônicas descem quadrado e arranham a garganta. Afinal, por mais deliciosas que sejam as histórias que encontramos entre uma página e outra, a verdade é que a vida não é feita só de leituras. 

  Apenas  consumir informação, mais cedo ou mais tarde, nos esgota. Principalmente nos dias de hoje, em que somos bombardeados por estímulos, notificações e pressões para estarmos informados sobre tudo o tempo todo. Necessitamos nos expressar, exteriorizar aquilo que aprendemos com nossas andanças pelos caminhos da Literatura. Precisamos criar, não apenas receber, aceitar narrativas. Seja criando arte, praticando uma atividade física, ou simplesmente escrevendo nossas próprias histórias, vivendo a vida, interagindo com as pessoas, conhecendo locais e vivendo experiências em primeira mão. Se nos deixamos ser bombardeados por tanta informação, se nos perdemos no meio dessa cacofonia contemporânea e focamos apenas em absorver conhecimento, acabamos por nos sentir sufocados, e bate o desânimo.


  Depois de umas férias regadas à base de seriados, para realizar essa "desintoxicação literária", estou finalmente me voltando para produção, e focando em novidades para o blog, artigos acadêmicos (e a monografia, que vem vindo aí!!!) e outros projetos paralelos. Mas, nesse meio tempo, dediquei algumas horas dos meus dias para apreciar a obra de Veríssimo com a qual tinha me comprometido há algumas semanas. Cheguei ao fim ontem, e posso dizer que, apesar de tudo isso, a leitura foi revigorante, e essencial para que eu me recuperasse dessa ressaca textual.

  O exemplar de "Olhai os Lírios do Campo" que tenho aqui é velhinho e  está em um estado bem precário de conservação, então não pude grifar ou colocar post-its, com costumo fazer, para preservar o que resta da integridade do livro. Pretendo comprar uma edição nova e reler, com direito a anotações e muito marca-texto, e então virei discutir de maneira mais aprofundada sobre a história em si. Deixo aqui a dica e o convite para quem também quiser se deliciar com as obras de Veríssimo!

  

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Impressões sobre "O Doador de Memórias"

  Poucas vezes tenho o costume de assistir a adaptação cinematográfica antes de ler o livro original. Mas dessa vez, foi isso que aconteceu com "O Doador de Memórias" (The Giver, no original), obra de Lois Lowry; a versão para as telonas foi dirigida por Philip Noyce.

  Devo confessar que assisti ao filme para ver se valia ou não a pena ler o livro. Com tantos YA's fracos sendo lançados e se tornando franquias, não é muito animador embarcar na maioria desses novos títulos. O fato de se tratar de uma distopia, tema que caiu no gosto do público e tem sido abordado de maneira superficial por vários autores, não ajudou muito. Mas, para minha surpresa, "O Doador de Memórias" é o primeiro de uma série de quatro livros, publicado originalmente em 1993 (ou seja, bem antes da Rowling lançar Harry Potter e criar o boom no mercado de literatura infantojuvenil e, posteriormente, para jovens adultos; e muito antes dos sucessos de vendas "Jogos Vorazes" e "Divergente"; e que fique claro que eu adoro a trilogia da Suzanne Collins).


  Um universo em preto-e-branco, higienizado e supercontrolado. Nesse ambiente, tudo é determinado por um conselho de anciãos, que decide dos maiores aos menores detalhes da vida de cada cidadão. A ordem é mantida pela total ignorância de cada indivíduo de qualquer coisa além de seu estreito universo pessoal e "profissional"; o fator crucial, porém, é a falta de memórias. Gerações e gerações inteiras vivem dentro de uma "bolha", raramente tendo contato com outras comunidades vizinhas, e sem nenhum vestígio de recordações ou registros históricos das civilizações passadas. A História completamente aniquilada.


  Lowry retrata esse cenário com grande habilidade em seu livro, e com a mesma destreza encara um grande desafio: narrar a descoberta das cores por um personagem que nunca as enxergou, e nem jamais soube que elas existiam. O leitor não tem conhecimento imediato desse fato no livro, e Lowry nos dá aos poucos pistas dessa realidade em tons de cinza. Já o filme entrega de bandeja: pelo menos o primeiro terço da adaptação é apresentado em preto-e-branco, retratando a visão de Jonas e dos outros personagens. Embora o efeito surpresa tenha se perdido um pouco, não há grandes prejuízos, visto que para quem não conhece a história, tudo só fará sentido com o decorrer da trama. A sutileza desse e outros detalhes dão grande qualidade ao longa-metragem.

 
Trailer do longa-metragem

  Com momentos densos e uma trama que fica mais pesada a cada capítulo, "O Doador de Memórias" superou em muito as minhas expectativas. Embora a produção hollywoodiana tenha adaptado alguns fatores (como a idade dos personagens) e injetado algumas cenas de ação inexistentes no livro (provavelmente para deixar a história com mais cara dos títulos atuais para o público jovem adulto), posso dizer que não sei se gostei mais do livro ou do filme. Cada um tem qualidades e carências consideráveis.  

  No livro, o final pareceu um pouco corrido, não desconexo, mas gerou uma espécie de "anticlímax". Já no filme, os relacionamentos dos personagens foram abordados de maneira um pouco mais aprofundada, embora dentro de  certos moldes "clichês" das produções americanas; há a vantagem de podemos observar outros pontos de vista além daquele do protagonista (semelhante ao que ocorre na adaptação de "Jogos Vorazes"), o que aprofunda a trama e causa maior empatia pelos personagens.

  Vale celebrar a atuação estupenda de Jeff Bridges (que também atuou como produtor do longa) e Meryl Streep. E, honestamente, eu quase nem percebi que a Taylor Swift estava no filme *cof cof*


  Agora, resta continuar a jornada pelos outros três volumes de Lois Lowry e esperar que tenham adaptações tão fiéis e belas como a primeira.

  Se você se interessou, pode gostar também de: 

  Jogos Vorazes - Suzanne Collins
  Divergente - Veronica Roth
  1984 - George Orwell
  Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
  Laraja Mecânica - Anthony Burgess



segunda-feira, 27 de julho de 2015

A Nascente - Uma obra prima de Ayn Rand


Uma narrativa épica sobre o triunfo e a realização de todas as potencialidades do ser humano a partir do exercício e da valorização do ego em sua plenitude. Essa é uma boa maneira de tentar resumir a obra de Ayn Rand, intitulada A Nascente. Batizada Alisa Zinov'yevna Rosenbaum, a escritora russa adotou os Estados Unidos como lar após conseguir sair da União Soviética. Filósofa, é mãe da tese do Objetivismo, que propõe enxergar a vida da maneira mais prática possível. 

Autora de grandes títulos, acadêmicos e romances, Ayn Rand concebeu A Nascente como a história de Howard Roark, um estudante de arquitetura com ideias diferentes do senso comum. Roark é prático, comprometido, objetivo e rejeita com todas as forças os adereços supérfluos em seus projetos. Mergulhando na narrativa ritmada e, em alguns pontos, frenética, acompanhamos a trajetória pessoal e profissional de Roark na sociedade americana do início do século XX, período de profundas mudanças sociais.

De Ayn Rand, ainda pela Arqueiro, você encontra: A Revolta de Atlas

Ayn Rand rejeita completamente a ideia do "altruísmo" e problematiza o conceito hoje aceito de maneira unanime do "egoísmo". O esforço pessoal e a consciência das próprias qualidades e realizações são marcas registradas de seu protagonista, que é apresentado na introdução como o seu "tipo de ser humano ideal", que compreende a vida como poucos são capazes. Apesar de se apresentar como um romance, A Nascente é uma obra carregada de conceitos filosóficos. 

O livro tira o leitor de sua zona de conforto de maneira arrebatadora, e o faz questionar os valores e ideais da sociedade atual. É uma ode ao ego, ao amor próprio e a verdadeira liberdade. É uma obra para se ler com a mente aberta, que derruba com precisão vários valores hoje tidos como inquestionáveis.



Eu comprei o meu box com os dois volumes de A Nascente em uma livraria de aeroporto por R$ 70,00; porém, é comum que você ache o mesmo box na internet por até R$ 20,00. Nas lojas físicas de um modo geral, o preço é mais salgado. 

 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

As Crônicas Marcianas - Ray Bradbury


Editora Globo, 2007, 302 páginas.

  Um clássico da ficção científica, As Crônicas Marcianas é um livro delicioso de ser lido. Realmente dividida em curtas "crônicas" (porque depois de As Crônicas de Gelo e Fogo, As Crônicas de Nárnia e outros títulos semelhantes, afirmar isso faz sentido!), a obra vai cobrir o espaço de tempo em que ocorreu a colonização de Marte pelos humanos. Os primeiros capítulos são escritos na perspectiva dos marcianos, enquanto todo o resto do livro é apresentado através do olhar de nós, os terráqueos.

  As Crônicas Marcianas é um livro que alterna com êxito entre tiradas hilárias e momentos densos e reflexivos. O título é praticamente uma coletânea da crônicas sobre o planeta vermelho que Bradbury publicou originalmente em uma revista de ficção científica na década de 1940; os textos foram rearranjados e revisados, e alguns foram escritos especialmente para compor o romance publicado em 1950. Já existem várias edições nacionais e estrangeiras da obra, e em cada uma alguns dos contos que a compõe são adicionados, retirados ou substituídos, de acordo com os critérios de cada editora no momento do lançamento. Para continuar gerando o efeito de uma história futurista, algumas edições posteriores ao ano de 1997 a cronologia da história avança vários anos, para que a narrativa continue a situar-se em um tempo a frente daquele do leitor.

  Com um humor ácido e certeiro, Bradbury critica o egoísmo, o preconceito e a ganância, características essas tão comuns na população deste pequeno planeta azul chamado Terra. A narrativa tem início em 1999 e se estende até 2026 (na versão de bolso da Editora Globo, datada de 2007, que é a minha edição), e cada crônica é focada em um protagonista diferente. Algumas histórias se encontram, outras se complementam; o objetivo final do livro é contar a história de Marte, e não de um personagem ou outro especificamente. De qualquer maneira, os personagens são carismáticos e é fácil nos apegar a eles, mesmo sabendo que sua aparição durará poucas páginas e que o final que os aguarda é potencialmente trágico. As Crônicas Marcianas vale muito a leitura, assim como as outras obras do autor. Recomendo demais!


Victor Comenho

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Verdadeiros Laços, Rose Elizabeth Mello

Hoje venho comentar sobre um livro bem especial, de uma autora especial: Verdadeiros Laços, de Rose Elizabeth Mello.
                                      

Três amigas de infância: Rhanya, Maria Clara e Laura. Todas com uma boa posição social, luxuosas moradias e uma amizade forte. Até o dia em que o ocorre um trágico acidente com César, marido de Célia Helena e pai de Laura. Ele se suicida. Khadija -esposa de Fahir e mãe de Rhanya- não perde tempo em fazer péssimos comentários à respeito do amigo da família; supondo que ele suicidou-se, pois, possivelmente, tinha uma amante. Eva e Maxim -pais de Maria Clara e Cadu- já são mais sinceros e amigos.
Infelizmente, Célia Helena e Laura perdem o dinheiro, a casa e resolvem mudar-se para um bairro mais "barato" que o que elas viviam. Não arrependem-se. Rhanya, mimada e importando-se sempre com posição social e dinheiro- começa a, indiretamente, evitar a amiga e a visitá-la. Afinal, não fica bom para sua imagem ir a um bairro -que para ela era- tão simples/humilde.
Mas, em uma dessas indas e vindas, Rhanya encontra neste bairro humilde uma pessoa que mexerá com seu coração, Giani. Um Chef formado em Milão e que estava abrindo seu  próprio restaurante.
E, mais uma vez, Rhanya importando-se com o que não deve e não dando o devido valor as coisas, perde um homem que era muito bom para ela. Muda-se para NY. E passa por mau bocados lá. (Impressões minhas: Eu achava-a muito mimada, insuportável, às vezes, mas as coisas horrorosas que ocorrem em NY com ela são de deixar qualquer pessoa sensibilizada.)
Enquanto isso, Maria Clara forma-se em letras e trabalha em uma editora como revisora de textos. Começa a frequentar um Centro Espírita também (Impressões minhas: O espiritismo, nesta obra, foi abordado de uma forma diferente, mais didática e mais clara).
Célia Helena e Laura estão, aos poucos, reconstruindo suas vidas juntas e vendo que davam valores e importância a coisas que não mereciam tanto. Célia é professora de Piano e Laura Psicopedagoga, ambas trabalham em um colégio.

Trechos da obra
"Existem muitos caminhos que levam ao Pai, mas geralmente as pessoas preferem seguir pelo da dor." Página 110

"No meio em que vivo, é muito difícil saber que são nossos amigos de verdade. Acho tudo isso muito triste." Página 176

"É sempre menos trabalhoso manter o olhar sobre o outro do que sobre si mesmo. Muitas vezes, é menos doloroso, Cadú." Página 242

"Você está errada! Muitos casais enfrentam juntos diversos tipos de problemas, e nada abala uma união em que existe o amor verdadeiro." Página 277

"Gosto muito de ler também. A leitura abre nossa mente e agrega muitos conhecimentos à nossa vida, além de ser um passatempo muito prazeroso." Página 317

*Esse é o segundo trabalho da autora publicado pela editora Vida & Consciência! O primeiro é o livro: Desafiando o destino (romance que já foi resenhado aqui no Incriativos)!

Um pouquinho sobre a autora

Rose Elizabeth Mello já cursou a faculdade de História, Comunicação Social, é formada em Designer de Interiores e Pós-graduada em Iluminação.
Denomina-se Espiritualista. Adora ler dos romances espíritas aos Clássicos, passando por alguns romances históricos.
Tem como mentor Yann, espírito que a auxilia em seus escritos.

Obrigado por ler o post!
Comente! ;)
Abraços!


sábado, 11 de abril de 2015

Tudo a seu tempo, Elisa Masselli

Olá, leitores! Hoje venho comentar sobre: Tudo a seu tempo, de Elisa Masselli.
É um romance espírita, certo?

Bom, o livro começa com Waldir, apaixonando-se por Deise; Waldir é bem rico, com uma mãe -Carolina- muito ligada a títulos e coisas materiais, tem uma irmã -fútil como a mãe-, e seu pai -um bom homem; Waldir, não conta a Deise que é rico -pois, seu último relacionamento acabara, porque ele deu um flagrante em sua ex com outro e sabia que ela estava com ele somente pelo dinheiro e posição social. Felizmente, Deise não é assim, é pobre e muito trabalhadora. Ajuda sua mãe. Além disso, Waldir tem um grande amigo que se chama Marcelo -que, infelizmente, ele nota ser fútil também.

Carolina, esposa de Mário -pai de Waldir-, já começa a mover seus pauzinhos para separar os dois, e, ela, sem medir esforços -e sempre tem em mente que, por possuir dinheiro pode comprar qualquer coisa ou qualquer pessoa- faz uma grande coisa que prejudica muitas pessoas e com isso consegue acabar o relacionamento entre Deise e Waldir.

Há um enorme segredo envolvendo a vida de Carolina e de seus dois filhos, e também há um segredo que envolve seu marido, Mário.

O espiritismo, nesta obra, foi bem abordado. Gostei da forma como os personagens utilizavam o momento oportuno para falar sobre a doutrina, mas sem ser "aquela pregação da palavra"; Também gostei da forma, apesar de meio crítica, retratar alguns personagens que se dizem espíritas ou, somente, cristãos, mas na primeira dificuldade começam a questionar-se se Deus existe, e, óbvio, depois os personagens arrependem-se deste tipo de pensamento.

Os personagens são bem reais. Alguns pobres, outros ricos, cada um vivendo no seu mundo, mas havendo um entrelaçamento entre os dois, pois sabemos que há isso, principalmente, na literatura. Além de tudo isso, gostei da forma como os personagens, apesar de suas crenças, respeitavam a alheia -quando estava para começar um conflito, eles paravam.

Bom, eu recomendo a leitura da Obra!
E tenho que agradecer a minha sogra pelos diversos livros espíritas que ela me deu <3


domingo, 22 de março de 2015

Persuasion, by Jane Austen!

Olá, hoje venho comentar com vocês sobre o Persuasion, da Jane Austen! <3
Vou logo avisando: ADOREI. ADOREI. ADOREI.

Esse livro conta a estória da Anne Elliot -filha de um vaidoso homem- e do Frederick Wentworth, um jovem casal apaixonado, mas que por influência, ou melhor dizendo, pelo poder de persuasão de algumas pessoas, separam-se.
Lady Russel, tutora de Anne(A mãe de Anne tinha falecido), era contra o relacionamento, pois não enxergava "futuro" na relação dos dois, principalmente, por Frederick não ter as devidas qualificações que ela achava que uma pessoa deveria ter para ser boa para casar.
Infelizmente, eles separam-se; Frederick Wentworth viaja... Anne fica.
8 anos depois, adivinhem, quem retorna? Sim, Frederick.
Mas... eles se encontram? Como Anne está? Como Frederick está? Algum dos dois casou?
Isso, só quando ler o livro, você descobrirá, rs.

A palavra Persuasion, ou em português: persuasão, é muito usada no livro!

O livro tem todo um clima de 2° chance, oportunidades perdidas...
(Não quero falar nada mais para não dá spoiler)


Eu já li Orgulho em Preconceito -em português mesmo, e em 2013-, não curti muito...
Mas aí, eu li um livro dela que são aquelas Obras Inacabadas, e as "short stories", e ADOREI.
Depois, Li Persuasion e AMEI.

A escrita dela é deliciosa; a forma como a narrativa acontece é muito bacana -tinha capítulo que eu me pegava falando com o livro, tipo: Não, Não pode ser... É isso mesmo que está acontecendo? E tal coisa não vai acontecer, não?

quinta-feira, 1 de maio de 2014

The Lightning Thief, Rick Riordan

Olá, leitores!
Hoje, venho comentar a respeito de "The Lightning Thief", de Rick Riordan.

Bom, esse é o primeiro livro que leio em inglês *---* (Sim, alegria múltipla por isso, rs.)

Enfim, o livro.
Eu, antes, não sentia vontade de ler Percy Jackson, e tals. Não nego. Achava que seria beeeeeeeem fraco -e/ou chato.
E eu e o Victor já tínhamos o box em português, mas como estou aprendendo (ou, pelo menos, tentando aprender) inglês, comprei o box em inglês.

Li o primeiro.
Gente, sério: QUE LIVRO LEGAL!
Olha, não sou de curtir livros infantis/infanto-juvenil/ E principalmente Y.A., mas gostei muito desse.

Não achei a estória forçada, pra um infanto-juvenil; curti a escrita do autor.
Não sei se cheguei a "me apegar" a algum personagem, mas...

Percy Jackson, 12 anos, "menino-problema", trocou de escola 6 vezes, em 6 anos; teoricamente, disléxico.
Sua mãe é um amor. De verdade.
Outro ponto bem bacana no livro é o amor que Percy tem por a sua mãe, e ela por ele. Fica claro em vários trechos a saudade que ele sente pela mãe -e a raiva que sente pelo padrasto.
"She oppend the bedroom door, and my fears melted." página 32

Um belo dia, ele vai a um passeio escolar e uma "professora" tenta matá-lo.
Mas... há algo de mais errado nisso.
Ela não era humana.
E depois, ele descobre não ser um também.
Ele é um Meio-Sangue. Filho de um Deus com uma humana -ou poderia ser o inverso, uma Deusa com um Humano. É o caso de Annabeth.

Eu recomendo a leitura deste livro.



quarta-feira, 23 de abril de 2014

Agatha Christie - Assassinato no Expresso do Oriente


Resolvi me aventurar com uma autora que por muito tempo reneguei, sem motivo certo. Talvez com medo de encontrar algo super-valorizado; provavelmente com receio de encontrar apenas mais do mesmo. Eis que, finalmente, tomei a decisão de encarar de frente um romance de Agatha Christie, e descobrir por conta própria a veracidade do título de Rainha do Crime. Embarquei com Hércule Poirot e uma dúzia de misteriosos passageiros no famoso Orient Express, pronto para me envolver com o mistério.


De romances policiais, tudo que eu havia lido até ano passado se resumia a alguns dos romances e contos de Conan Doyle. O fato de ter começado pelas histórias do detetive mais famoso do mundo me fez encarar os outros romances do gênero com poucas expectativas. Finalmente, resolvi dar uma chance a algum outro autor, quando Rowling lançou "O Chamado do Cuco". Embora não tenha sido este seu melhor trabalho, foi o bastante para me convencer e me entreter; e o toque de humor ácido da autora faz qualquer um de seus livros valerem a pena.
  Ao ler "Assasinato no Expresso do Oriente", confesso que fui surpreendido. Fui ao livro sem grandes expectativas, mas o final realmente me surpreendeu (embora tenha achado um ou outro ponto meio forçado). Entretanto, fora algumas (muito) boas frases de impacto, a história não me proporcionou muito mais do que um bom mistério e algum entretenimento. Talvez seja um mal comum ao gênero; talvez não. Confesso que tenho muita vontade de ler um romance policial, que tenha uma boa trama perpassando o mistério central. Personagens bem construídos, histórias subjacentes bem exploradas; acho que o romance que mais me proporcionou essa experiência foi "O Chamado do Cuco", embora sem dúvida nenhuma meus favoritos são os das aventuras de Sherlock Holmes.
  A leitura do romance é super rápida, e se você tem a curiosidade aguçada, talvez termine o livro ainda mais rápido. A narrativa de Agatha Christie não é ruim, mas flui talvez rápido demais, com muitos diálogos e foco total na trama a ser desvendada. Como ponto a seu favor, posso citar o carisma dos personagens e o mistério bem construído.
Não quero dizer que qualquer um é capaz de criar um bom mistério, mas na minha opinião, esse deve ser o elemento básico de todo o romance policial. Portanto, aqueles que se atém unicamente a isso acabam, ao meu ver, se tornando apenas um em tantos outros. Claro que uma narrativa bem feita, mesmo que simples, como é o caso de "Assassinato no Expresso do Oriente" é de suma importância para uma leitura agradável, mas o que procuro é um diferencial, um bom drama como plano de fundo, um mergulho mais profundo na natureza dos personagens e, claro, um mistério bem elaborado.

  De qualquer maneira, a leitura foi agradável e divertida. Se tivesse de dar uma nota, de zero a dez (o que não gosto de fazer), creio que ficaria na média, com decentes 7 pontos. Indico o livro para quem procura divertimento e um pouco de mistério, mas não está na minha lista de "leituras obrigatórias". A rainha do crime, afinal, talvez seja apenas uma duquesa.

domingo, 23 de março de 2014

Dias Pássaros - Stella Leonardos

Um livro rápido e com ritmo de doce poesia, quais as páginas são tão gostosas de ler que tornam a leitura aconchegante e altamente emocional. Stella Leonardos nos apresenta, com grande maestria, o romance Dias Pássaros, um toque de poesia na literatura frenética dos últimos tempos.


  Athena é uma jovem que protagoniza esse curto e singelo romance. É ela que, nas mãos de Stella Leonardos, trará, em poucas páginas, um pouco mais de romantismo para os leitores. Há muito que dizer sobre o livro e sua protagonista, porém o melhor é deixar aqueles que quiserem dar uma chance à obra fazerem isso sem o desprazer de ter uma bela história estragada por uma indigna sinopse. O que registro aqui então, a título de curiosidade para eventuais leitores e como mera informação para aqueles que não são romanticos o suficiente para ter a coragem de ler o romance; o que tenho para lhes oferecer aqui é um pouco das minhas impressões.
  Que o prefácio e a dedicatória são partes possíveis de um bom livro, todos sabemos. Alguns poucos, aqueles mais audaciosos, se dão ao trabalho (e ao muitas vezes gratíssimo prazer!) de ler todos os elementos que antecedem a história propriamente dita. Neste caso, prefácio e dedicatória não complementam apenas o livro, mas também o romance em si. Escritos na forma dos dois primeiros capítulos da história de Dias Pássaros, esses curtos textos dão uma prévia da atmosfera agridoce que paira sobre as 121 páginas.


  Procurando evitar descrições desnecessárias e infiéis, posso dizer que a trama é cativante desde o começo. Em geral, preciso de um livro que me ocupe um certo tempo de leitura, porque só consigo me cativar por personagens que se demoram um pouco mais na minha frente (por isso mesmo gosto tanto de séries, inclusive). Em todo o caso, Athena e os que a acompanham me venceram de primeira. 
  Vale dizer que o reduzido número de páginas é proposital, e traz encerrado em si mesmo o próprio significado do título e da obra: os dias passam rápido, escorrem pelos nossos dedos feito pássaros. Se passaram como corvos ou beija-flores, depende apenas de nós. Dias Pássaros é uma obra delicada e extremamente significativa, que nos convida a viver a vida; e o que estamos esperando?! No alvorecer os pássaros despertam; não podemos deixar que seu voo passe planando despercebido até o repouso noturno sob uma árvore qualquer.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Um grito de amor do centro do mundo

Olá, leitores, hoje venho comentar sobre o triste, porém, bonito "Um grito de amor do centro do mundo", de Kyoichi Katayama.



O título já me ganhou.
Sim, gosto de títulos desse tipo.
Li a primeira página e, de cara, já notei como era bem escrito.



O livro já começa com Sakutarô triste, pois Aki -sua amada- está morta.
Eles são dois adolescentes. Se conhecem desde a 5° serie; Mas, só começam a namorar mesmo, bem depois disso.
Vivem em plena felicidade, sempre; Até certo dia. O dia em que Aki descobre ter uma doença.
E, pelo que notei, Sakutarô a ama mais que a ele mesmo.
O livro conta a história deles, do início ao fim.
É bem cheio de clichês, mas, ao mesmo tempo, é bem triste. E, como eu já disse: É UM LIVRO BEM ESCRITO. Então, não importa se tem clichê ou não, a leitura não fica ruim.
Assim, eu recomendaria você ver em qual estado de vida/alegria você está antes de ler este livro.
Esse livro é triste.


Além disso, o livro é curtinho; Tem apenas 160 páginas.

Trechos da obra:
"Já nem sei se meu pranto é de tristeza. Acho que meus sentimentos se foram com as lágrimas."
Um grito de amor do centro do mundo
- Página 7

O livro é cheio de boas citações, não irei dizer mais, contudo, para deixar curiosidade.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Seminário dos Ratos - Lygia Fagundes Telles

Olá, hoje venho por meio deste post relatar minhas impressões de leitura sobre o livro: "Seminário de Ratos" de Lygia Fagundes Telles. (Pequena observação: Sempre que vou falar o nome desse livro, acabo dizendo "Cemitério de ratos", rsrsrs -desnecessário, eu sei. Bom, vamos ao post)
                                            
Este livro é composto por 14 contos, e são eles:
1- As Formigas;
2- Senhor Diretor;
3- Tigrela;
4- Herbarium;
5- A sauna;
6- A pomba enamorada ou uma história de amor;
7- WM;
8- Lua Crescente em Amsterdã;
9- O x do problema;
10- A mão no ombro;
11- A presença;
12- Noturno Amarelo;
13- A consulta;
14- Seminário dos ratos.


Bem, sempre que eu ia me referir aos contos da Fagundes Telles, eu tinha o hábito de usar o termo "terror com suspense", em certos contos, não em todos... Mas, parei e refleti, e notei: Ela usa algo mais forte que o terror nos seus contos, usa a tensão psicológica.
Exemplo: Ao ler "Senhor Diretor", o conto começa com uma manchete de jornal que diz "Seca no Nordeste. Na Amazônia, cheia (...)." E a personagem começa a avaliar uma foto que ela julgar ser muito "sensual", e de forte teor sexual pra estar exposta. O conto continua e tem um trecho que eu fiquei um tanto perplexo ao ler... achei muito forte. Eis o trecho:
                         "Seca tudo, a velhice é seca, toda água evaporou de mim, minha pele secou, as unhas secaram, o cabelo que estala e quebra no pente. O sexo sem secreções. Seco. Faz tempo que secou completamente, fonte selada. A única diferença é que um dia, no Nordeste, a chuva volta." (página 31).
                                                
O conto "A sauna", eu notei-o como um conto "desabafo". O Personagem vai a Sauna e começa a refletir tudo que fez em relação a traições, suas mulheres, seus filhos -ou melhor, possíveis filhos; E, acreditem, é meio pesado de ser ler em certas horas, mas o final deste conto é SENSACIONAL.
Aliais, os Finais dos contos dela não são aquela coisa "fixa", que têm um final "certo".
O final dos contos dela deixam uma abertura para você ler e imaginar o que pode ter, realmente, acontecido com o personagem -uma característica bem Machadiana, acho eu.
"As formigas" é o conto de "terror". Conta a estória de duas alunas. Uma de Medicina, e uma de direito -caso não me engane-, e elas vão para um "hotel barato", e lá ficam no porão. A Dona do Hotel, dá para a estudante de medicina um baú com os ossos de um esqueleto de anão.
Acontece que as formigas vão todas as noites e "querem montar" -remontar- o Anão.

Bem, esse não é o primeiro livro de Contos que leio dela. Sou muito fã de Lygia Fagundes Telles.
E, SUPER RECOMENDO a leitura deste e dos outros livros dela!
                                                

domingo, 26 de janeiro de 2014

Autores que nunca lemos: Amadeu Ribeiro e Paulo Coelho

  Bom, eu e o Victor, conversando sobre o blog, e tudo o mais, pensamos n'uma coisa:
  Selecionaremos cada mês, ou um autor, ou estilo, ou gênero, ou título, enfim, algo assim, que não lemos ainda. E faremos um post aqui.
Esse mês, por conta de nossas leituras -ótimas, diga-se de passagem- falaremos sobre dois autores.
Eu, Italo, nunca tinha lido livros espíritas do Amadeu Ribeiro;
  E o Victor nunca tinha lido Paulo Coelho (depois de eu muuuito insistir com amor e carinho, ele leu, rs, e adorou <3)



  Bem; Agora as impressões sobre os dois livros:



  A visita da verdade - Valéria, moça ambiciosa, apesar de sua origem humilde, procura decidida e loucamente um marido que tire-a daquele "fim de mundo".

  Ela sempre mostrou-se querer ser "melhor que todo mundo".
  Numa festa de sua cidade, ela encontrou Felipe, e "o seduz", ele fica doido de amores e volta para buscá-la. (Claro, ele é muito rico.)
  Casaram-se, e tiveram 4 filhos. Sua sogra reclamava muito, pois, na sociedade em que ela frequentava agora, não é comum ter muitos livros.
  Com o passar dos anos, Valéria piora sua ambição. Ela alegra-se com o falecimento do sogro, porque ele deixa tudo para Felipe.
  Ícaro, seu filho mais velho, desde cedo, mostra-se uma pessoa caridosa. Seus irmãos  Sidnei e Kennedy são os mais mimados.
  Valéria pensa que manda nos seus filhos e na vida deles; por conta disso ocorrem muitos problemas.
  E, tem a fofa Tereza, que é uma empregada/governanta muito atenciosa, carinhosa e uma pessoa cheia de paz/luz.
  Tereza, com toda paciência, mostrará para Valéria que ninguém manda na vida de ninguém. Que ambição, muitas vezes, corrói a pessoa.
  Bom, achei um livro muito bom. Tem temas polêmicos dentro desse livro como: Homossexualidade, Casamento por dinheiro, relacionamento de pessoas mais velhas com pessoas mais novas.
Tudo isso bem escrito, super recomendo ;)


  Bom, o autor que resolvi ler pela primeira vez para esse post foi Paulo Coelho. Apesar de tantas críticas e das opiniões divergentes que já ouvi sobre ele, resolvi dar um chance aos seus livros, porque, além de tudo, o Italo fala muito bem deles e resolvi experimentar.
  Resolvi conhecer a literatura desse autor por "O Demônio e a Srta. Prim", e eu não posso negar que, como muitos dizem, o estilo das estórias de Paulo Coelho realmente lembram as do escritor americano Richard Bach; entretanto, elas conservam um toque e um estilo únicos do autor, sendo impossível, na minha opinião, confundir a autoria de um de seus livros.
  O livro é cheio de reflexões, porém não se limita a quotes que podem ser facilmente reproduzidas num tweet (as vezes parece que muitos escritores produziram suas obras pensando em frases marcantes de até 140 caracteres). A verdade é que após a leitura, você não apreende instantaneamente tudo que o autor quis passar. É necessária uma reflexão posterior para se assimilar tudo que foi passado. Não digo com isso que é um livro de difícil leitura, pois está muito longe disso; o que quero dizer é que não é como certos livros que se encerram na última página. Uma boa obra é aquela que vai além do epílogo, e que permanece viva na mente do leitor. E Paulo Coelho com certeza consegue produzir obras com essa qualidade.
  Embora eu não concorde completamente com todas as """"""lições"""""" que permeiam o livro, é sempre instrutivo ler coisas com as quais não concordamos ou não entendemos, pois sair da zona de conforto, às vezes, e pensar em assuntos talvez até mesmo desagradáveis é essencial para manter a mente aberta e desenvolver o senso crítico, ao mesmo tempo.
  O suspense psicológico é a atmosfera que permeia "O Demônio e a Srta. Prim", aguçando a curiosidade do leitor e fazendo com que virar cada página seja uma experiência deliciosa. O autor me cativou, tenho que confidenciar isso, e logo lerei outros de seus livros. Indico a leitura, pois é rápida, interessante e relevante. Paulo Coelho me fez rever conceitos e reafirmar alguns outros. Dê uma chance você também ;)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Clarice Lispector


  Muito já foi dito sobre Clarice Lispector - e infelizmente muito disso foi dito sem que se tenha lido suas obras. O que se pode afirmar é que ainda hoje Clarice encanta gerações de leitores, e parece alcançar seu maior sucesso entre os mias jovens. O post de hoje revela as primeiras impressões que tive sobre ela, e as conclusões a que cheguei sobre sua bibliografia.

  Há tempos que leio clássicos, mas vim ler meu primeiro livro de Lispector apenas esse ano; isso se deve ao fato de serem livros muito finos e extremamente caros, portanto meu bolso adiou a leitura. Mas, procurando ser bem sintético, digo que gosto muito do que já li. Esse ano tive o prazer de percorrer as páginas de A Hora da Estrela, A Bela e a Fera e Clarice na cabeceira: jornalismo. Para os que não conhecem, os livros tratam, respectivamente, de: um romance; uma coletânea de contos; uma coletânea de crônicas, reportagens e entrevistas publicados por Clarice na época em que trabalhou como jornalista para diversos jornais e revistas.

  Me espantei ao constatar que o material que mais me encantou foi o que achei entre as páginas deste terceiro livro. Embora tenha ficado mais conhecida como ficcionista do que como jornalista, o trabalho que Clarice exerceu na mídia de sua época é digno de nota. Suas colunas são marcadas por traços só seus, que garantem um estilo único e reconhecimento imediato de sua autoria.


  No mais, não posso dizer muito que já não se saiba: seus textos (todos eles sem exceção) transbordam de subjetividade, do estilo único, fortemente sentimental, que Clarice Lispector domina com maestria. Algumas ressalvas, entretanto, devem ser feitas. Como a própria autora não revisava seus textos, e proibia seus editores de revisarem exceto a pontuação, algo na qualidade de sua obra sofreu com isso. Há, sem dúvida, uma certa prepotência na figura de Lispector. Definitivamente, já li muitas obras melhores, mas Clarice Lispector me cativa por sua subjetividade; me identifico com muitos de seus textos. E muito do que ela escreveu é, em algum momento, metalinguagem, na medida que muitos de seus textos falam sobre o ato de escrever, sobre a vida de quem escreve... E como escrevo desde que me entendo por gente, não poderia ficar indiferente diante disso.

  Os livros de Clarice Lispector não são de difícil leitura; seu linguajar é simples, o número de páginas é reduzido. Creio que por isso ela tanto encante os jovens que agora se aventuram a ler livros mais "complicados", que iniciam seu trajeto rumo aos clássicos da literatura brasileira. Isso, e também por que seus textos refletem a inquietação, bem como emoções fortes invariavelmente presentes no espírito adolescente. O máximo de estranhamento que se pode ter no começo é devido a uma sintaxe um tanto bagunçada, mas que é a marca de seu estilo. Fora isso, seus livros podem ser apreciados em uma tarde, sem pressa, acompanhando o ritmo bucólico de sua narrativa.