sexta-feira, 4 de abril de 2014

Momento musical: Marina and the Diamonds e a saga de Electra Heart

Surgida das profundezas da música indie, a cantora britânica Marina Lambrini Diamandis (conhecida pelo seu nome artístico Marina and the Diamonds) criou muita polêmica entre seus fãs com o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, intitulado Electra Heart. Muito mais pop que qualquer produção anterior da artista, o CD aparenta ser fútil, com refrões chicletes e feito para vender; e, de fato, alcançou um sucesso muito maior que seu antecessor, The Family Jewels. Mas o verdadeiro valor do álbum encontra-se nas críticas cheias de ironia e sarcasmo que Marina domina com maestria, e que acompanham-na desde o começo de sua carreira. 
  Como há muito a ser dito, atenho-me aos vídeo-clips que foram produzidos de uma maneira cuidadosa e brilhante. Apresento-vos a saga de Electra, uma mulher que fez de tudo para alcançar o que queria, e pagou o preço por isso.


  O Início ♥

  Fear and Loathing e Radioactive são os singles que anunciam o prólogo do nascimento de Electra Heart. No primeiro vídeo, vemos Marina com seu cabelo original, moreno, cortado bem curto. A música fala sobre mudanças, sobre uma sensação de angústia que sufoca; e o desejo de se ver livre e sentir-se novamente leve. A melodia brinca muito com os contrastes, sendo em partes muito pesada, e em outras mais sútil. Canta-se sobre o desejo desesperado de se superar os medos e os erros do passado para que se possa viver a vida. É uma canção de autocomiseração, sobre o desejo da libertação.
  Radioactive dá sequencia à trama nos apresentando Marina, agora loira, fazendo as malas e partindo de carro sem rumo. Com seu inconsequente companheiro, ela parte em uma viagem sabática e esquece de levar o bom-senso na bagagem. Num ritmo cheio de energia, a cantora declara que se apaixonar é seu maior medo, e que agora seu sangue pulsa como que radioativo em suas veias. O terreno seco que era seu coração agora pulsa, berço fértil que acolhe as mais inusitadas emoções. O terreno está preparado para o nascimento de Electra Heart.

*****

  Como não quero me estender muito para não deixar o post grande demais, mas como também não quero fazer algo muito superficial, dividirei esse texto em algumas postagens. Espero que até aqui, eu tenha consegui atiçar a curiosidade e dar um gostinho do que está por vir. Quem ainda não conhece os trabalhos de Marina and the Diamonds pode aproveitar para descobri-lo; e aqueles que já são fãs podem interagir deixando suas opiniões e interpretações. No próximo post, falarei de The Archetypes e Primadonna, e já deixo os links nessa postagem, para irmos entrando no clima; pois estamos prestes a presenciar o nascimento de Electra Heart.

domingo, 30 de março de 2014

Selvagens - Don Winslow

Bom, venho comentar sobre o super, rápido, e sem fôlego "Selvagens", de Don Winslow.

Primeiro, preciso dizer que este livro é: 5 estrelas, caso você goste de emoção, ação.

Bom, vamos ao livro:
Ben. Chon. Ophelia, ou melhor, O.
Não a Ophelia de Shakespeare, nem a O. de Story of O.
O.

Ben e Chon, amigos, muito amigos, resolvem abrir um negócio lucrativo:
Vender a melhor droga. A melhor maconha. Uma especial e que os tornem ricos.
Dá certo.
Conseguem.
(gostaria de avisar-vos que o livro não fica fútil por conta disso; não julguem.)

O. meio viciada em sexo. Super apaixonada por seus dois homens: Ben e Chon.
Namoram os três.
Os três se amam.
Como diz, e pensa, O.: "Melhor mais amor que menos amor".
Um triângulo em que os três são um.
Sim, cada um é parte vital do outro.
Completam-se a partir de suas diferenças.

O. é a força e fraqueza dos dois.
Elena, A Rainha, sabendo disso a sequestra e os obriga a trabalharem para ela. Ou que eles deem uma quantidade "x" em dinheiro.

O livro começa a ficar mais emocionante.
pois:
"Chon divide o mundo em duas categorias de pessoas:
Ele, Ben e O.
Todo o resto.
Ele faria qualquer coisa por Ben e O.
Por Ben e O.  ele faria qualquer coisa a Todo o Resto.
Simples assim."


Enfim, acho que todos devem lê-lo!
Aliais, a Val do torpor niilista (beijão, sua linda <3) fez um post bem bacana sobre este livro, eis o link: Aqui

domingo, 23 de março de 2014

Dias Pássaros - Stella Leonardos

Um livro rápido e com ritmo de doce poesia, quais as páginas são tão gostosas de ler que tornam a leitura aconchegante e altamente emocional. Stella Leonardos nos apresenta, com grande maestria, o romance Dias Pássaros, um toque de poesia na literatura frenética dos últimos tempos.


  Athena é uma jovem que protagoniza esse curto e singelo romance. É ela que, nas mãos de Stella Leonardos, trará, em poucas páginas, um pouco mais de romantismo para os leitores. Há muito que dizer sobre o livro e sua protagonista, porém o melhor é deixar aqueles que quiserem dar uma chance à obra fazerem isso sem o desprazer de ter uma bela história estragada por uma indigna sinopse. O que registro aqui então, a título de curiosidade para eventuais leitores e como mera informação para aqueles que não são romanticos o suficiente para ter a coragem de ler o romance; o que tenho para lhes oferecer aqui é um pouco das minhas impressões.
  Que o prefácio e a dedicatória são partes possíveis de um bom livro, todos sabemos. Alguns poucos, aqueles mais audaciosos, se dão ao trabalho (e ao muitas vezes gratíssimo prazer!) de ler todos os elementos que antecedem a história propriamente dita. Neste caso, prefácio e dedicatória não complementam apenas o livro, mas também o romance em si. Escritos na forma dos dois primeiros capítulos da história de Dias Pássaros, esses curtos textos dão uma prévia da atmosfera agridoce que paira sobre as 121 páginas.


  Procurando evitar descrições desnecessárias e infiéis, posso dizer que a trama é cativante desde o começo. Em geral, preciso de um livro que me ocupe um certo tempo de leitura, porque só consigo me cativar por personagens que se demoram um pouco mais na minha frente (por isso mesmo gosto tanto de séries, inclusive). Em todo o caso, Athena e os que a acompanham me venceram de primeira. 
  Vale dizer que o reduzido número de páginas é proposital, e traz encerrado em si mesmo o próprio significado do título e da obra: os dias passam rápido, escorrem pelos nossos dedos feito pássaros. Se passaram como corvos ou beija-flores, depende apenas de nós. Dias Pássaros é uma obra delicada e extremamente significativa, que nos convida a viver a vida; e o que estamos esperando?! No alvorecer os pássaros despertam; não podemos deixar que seu voo passe planando despercebido até o repouso noturno sob uma árvore qualquer.