Muito já foi dito sobre Clarice Lispector - e infelizmente muito disso foi dito sem que se tenha lido suas obras. O que se pode afirmar é que ainda hoje Clarice encanta gerações de leitores, e parece alcançar seu maior sucesso entre os mias jovens. O post de hoje revela as primeiras impressões que tive sobre ela, e as conclusões a que cheguei sobre sua bibliografia.
Há tempos que leio clássicos, mas vim ler meu primeiro livro de Lispector apenas esse ano; isso se deve ao fato de serem livros muito finos e extremamente caros, portanto meu bolso adiou a leitura. Mas, procurando ser bem sintético, digo que gosto muito do que já li. Esse ano tive o prazer de percorrer as páginas de A Hora da Estrela, A Bela e a Fera e Clarice na cabeceira: jornalismo. Para os que não conhecem, os livros tratam, respectivamente, de: um romance; uma coletânea de contos; uma coletânea de crônicas, reportagens e entrevistas publicados por Clarice na época em que trabalhou como jornalista para diversos jornais e revistas.
Me espantei ao constatar que o material que mais me encantou foi o que achei entre as páginas deste terceiro livro. Embora tenha ficado mais conhecida como ficcionista do que como jornalista, o trabalho que Clarice exerceu na mídia de sua época é digno de nota. Suas colunas são marcadas por traços só seus, que garantem um estilo único e reconhecimento imediato de sua autoria.
No mais, não posso dizer muito que já não se saiba: seus textos (todos eles sem exceção) transbordam de subjetividade, do estilo único, fortemente sentimental, que Clarice Lispector domina com maestria. Algumas ressalvas, entretanto, devem ser feitas. Como a própria autora não revisava seus textos, e proibia seus editores de revisarem exceto a pontuação, algo na qualidade de sua obra sofreu com isso. Há, sem dúvida, uma certa prepotência na figura de Lispector. Definitivamente, já li muitas obras melhores, mas Clarice Lispector me cativa por sua subjetividade; me identifico com muitos de seus textos. E muito do que ela escreveu é, em algum momento, metalinguagem, na medida que muitos de seus textos falam sobre o ato de escrever, sobre a vida de quem escreve... E como escrevo desde que me entendo por gente, não poderia ficar indiferente diante disso.
Os livros de Clarice Lispector não são de difícil leitura; seu linguajar é simples, o número de páginas é reduzido. Creio que por isso ela tanto encante os jovens que agora se aventuram a ler livros mais "complicados", que iniciam seu trajeto rumo aos clássicos da literatura brasileira. Isso, e também por que seus textos refletem a inquietação, bem como emoções fortes invariavelmente presentes no espírito adolescente. O máximo de estranhamento que se pode ter no começo é devido a uma sintaxe um tanto bagunçada, mas que é a marca de seu estilo. Fora isso, seus livros podem ser apreciados em uma tarde, sem pressa, acompanhando o ritmo bucólico de sua narrativa.





